Minha Gravidez Trigemelar


A maternidade, para mim, começou antes mesmo de ser mãe. Sou filha mais velha, prima mais velha, bisneta mais velha, sempre vivi rodeada de crianças e sempre amei cuidar, brincar e estar com elas! E assim como muitas pessoas, meu sonho era ser mãe.


Quando conheci meu marido, antes mesmo de virar namoro, já perguntei se ele gostaria de ter mais filhos, essa seria uma condição para o namoro dar certo.


Minha vontade de ser mãe era tanta, que eu adorava encontrar mulheres grávidas, achava a mulher mais linda e poderosa do mundo, e ficava imaginado como eu ficaria linda assim, era muito romântica.


Pois bem, a tão desejada gravidez chegou! Foi demais a descoberta! Fiz um monte de xixi no palitinho, para confirmar mesmo.Uma alegria enorme, mas como estava passando por um processo de fertilização assistida, resolvi fazer todos os exames primeiro.


Confirmada minha gravidez, fomos fazer o ultrassom e para nossa felicidade e surpresa, dois coraçõezinhos batiam lá dentro da minha barriga. Ops!!!, dois não! TRÊS. O médico encontrou mais um bebê.


Que susto, que desespero, mas ele estava muito pequeno tínhamos que esperar, e achamos melhor não contar para ninguém! Mas como assim? Eu queria sair gritando para todo mundo que estava grávida, e não podia? Chorei muito de alegria, de medo. Como iria cuidar de 3 bebês ao mesmo tempo? Não sabia nem cuidar de um! Onde iria colocar três berços? Como pagar três faculdades e juntas? Não dormi por várias noites. Chorava muito, entrei em pânico o medo me consumia.


O momento que era para ser o mais feliz da minha vida, se transformou em lágrimas.


Com 8 semanas de gestação veio a confirmação. Sim, estava grávida de três bebês.

Veio um sacramento e o repouso. Até então, estava trabalhando, e tive que diminuir o rítimo.


Depois vieram os enjoos, e emagreci 8kg. Não tinha vontade de fazer nada, nadinha, só dormia, minha mãe largou tudo e veio de Minas Gerais para ficar comigo, ou melhor me dar comida.


Os enjoos melhoraram, a barriga começou a crescer e fui me reerguendo, até que levei um tombo na escada, cai de bumbum no chão, que desespero! Senti muita dor, corri para o pronto socorro e só pensava o pior. Como senti medo.


Quando completei 12 semanas, já não trabalhava mais, de uma vida ativa, corrida, me via sozinha, gestando três bebês e trancada dentro de casa. Não saía mais do quarto, só ficava sentada ou deitada, e o único movimento era ir ao banheiro e voltar, além das idas ao médico.


A barriga crescia e eu me achava horrorosa! Não era aquela grávida linda dos meus sonhos, nada era como eu tinha sonhado. O meu nariz parecia com os das renas do Papai Noel. Era tudo diferente, não era tão romântico como tinha idealizado, não podia nem namorar meu marido. Com 24 semanas, depois de um ultrassom, fui do consultório para o hospital, meu colo do útero abriu, e fui internadas.


Minha mãe estava comigo, passei quatro semanas na cama, levantando uma vez ao dia para o banho e mais nada, até o xixi era na cama. Enquanto as grávidas nessa fase estão planejando o enxoval, o quartinho do bebê, o chá de bebê, eu estava de repouso absoluto com muito medo. Medo de perder meus bebês, deles nascerem muito pequenos, medo da UT. Aqui, aprendi a dar valor no que realmente é importante, você já viu alguma porta UTI?


A única certeza que tinha era que eles iriam para a UTI, eu precisava aguentar.


Foram as 4 semanas mais longas da minha vida. Até que comecei a ter contrações e não dava mais para segurar, eles iriam nascer com 28 semanas. Tive muito medo, mas nunca deixei de acreditar. O parto foi desesperador. Nasceram de 2 em 2 minutos, era aquela correria, e eu acordada vendo tudo.


Chorei, mas não foi de alegria, foi de medo, não sabia o que estava acontecendo, não ouvi os choros, dormi sem conhecer meus tão sonhados e desejados filhos.


Apenas no dia seguinte, marido me levou na cadeira de rodas para conhecê-los na UTI. Eram tão pequeninos, eram tantos fios. Os três entubados, e eu pensava: "cadê meu bebê rosadinho, lindo que eu tanto sonhei?" Minha nova realidade era outra! Eu tinha três bebês, que estavam entre a vida e a morte e precisavam de uma mãe forte. E assim eu me tornei a mãe que eles precisavam. Nunca imaginei que seria tão forte e otimista como fui durante os nossos longos dias na UTI.


Eles nasceram numa sexta-feira, e na segunda tive alta. Antes de sair do hospital, fui orientada a ir ao banco de leite para as enfermeiras me ensinarem a ordenhar, assim eu poderia tirar meu leite, congelar e levar para eles na UTI.


A enfermeira me entregou um vidro de Helman's de 500grs e fui para casa, sem barriga, sem bebê e com um vidro nas mãos.


Nunca chorei tanto, espremia meus seios e de lá saiam gotas de leite. Eu olhava aquele vidro e o desespero tomava conta de mim. Não tinha bebê, não tinha leite, e tinha um vidro de Helman's. Estava tudo errado.

Foto um dia antes do parto com 28 semanas.

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